quarta-feira, 7 de agosto de 2024

 Centro de Saúde #postinho #SUS

andei atendendo uma criança de sete anos que sempre quando lembro acho que tinha onze,

onze porquê pra mim no sete não cabe tanto abandono e descaso,

no onze também não, óbvio!

mas no sete... poxa vida !

nos sete a criança começa a compreender conceitos mais complexos na matemática,  já escreve seu nome, consegue fazer atividades de vida diária com autonomia, começa a ver o outro e compreender empatia.

a mãe faleceu quando ele ainda era muito miúdo, a família materna ficou com seu irmãozinho mais novo, com ele não;

ele ficou com o pai ora com a mãe do pai;

esse pequeno no meio de um jogo com figuras me contou com tranquilidade que tinha uma cachorra mas que a mesma estava com "peladeira" e matou ela a paulada junto ao pai;

num próximo dia chora de urrar no consultório a ausência do pai, que precisou sair do território por estar em risco, o que fiz foi sentar no chão ao seu lado e ser presença - mesmo que silenciosa, tentando acolher essa dor.

em seguida eu soube que ele fugiu da escola, em seus plenos sete anos, e foi parar em um bairro distante buscando o pai.

recentemente me contaram que a avó paterna o levou para abrigamento e para convencê-lo a ir ao Conselho Tutelar disse a ele que estava indo para uma colônia de férias;

ele, no auge dos seus sete anos, chegou no conselho tutelar com sorriso de orelha a orelha.



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