sexta-feira, 25 de setembro de 2026

 

A vida de artista assim como a de todo mundo tem hora que é muito cruel!

Na verdade há pessoas que trabalham conosco que agem assim,

Algo de um constante aproveitar do outro ou ter o olhar para nós como se fóssemos objetos e mais nada!

Já fiz milhares de testes e recebi "nãos" na maioria esmagadora deles,

Infelizmente isso é comum,

Mas essa semana aconteceu algo diferente, me chamaram pra um teste com um cachê muito baixo e um video teste um tanto humilhante ao meu ver e eu disse que não queria,

me procuraram depois : "mas você é o perfil! 99% que é você""

- ok, topo se o cachê for tanto, afinal era algo relacionado à instituição financeira e isso congela a gente,

"ok, faz o teste pra gente?""

duas horas para gravar o tal teste - lava cabelo, seca cabelo, faz maquiagem, grava uma, duas, três vezes, deixa de dar atenção para a mãe que está na casa doente, deixa de lado a escrita de um projeto importante com prazo.

faz o teste/ envia o teste.

"agradecemos a participação mas você não foi selecionado dessa vez""

- e o cachê teste?

"você tem que perguntar isso antes de fazer o teste.""

FIM

tô me sentindo uma anta abatida.

sério.



segunda-feira, 14 de setembro de 2026


as cabras insistem em me encher de esperança e me salvar no findar do dia,

vejo o trabalho no SUS e a quantidade enorme de pessoas que preciso atender,

a cabeça imediatamente começa a bugar porque ela sabe que não tem jeito de atender todo mundo - assim, não no tempo ideal,

ela sabe que o coração aperta e fica engasgado pensando nos trabalhadores que precisam avaliação, orientação e encaminhamento sobre o ombro ou braço dolorido, pelas crianças com possíveis TDAHS e mais um tanto de letras e falta de uma porrada de presença, da moça que tem como falta a cadeira de rodas,

saio atordoada e escuto o berro do cabritinho

ufa!

terça-feira, 1 de setembro de 2026

 

vou viajar mais uma vez com o teatro

e mais uma vez eu tenho muito medo de ser a última vez

chego a escorrer lágrimas e jogar a toalha

TOMARA que eu esteja errada de novo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2026

Coragem

A decadência me acompanha semanalmente escancarada quando subo o morro do Taquaril para ir trabalhar na Unidade Básica de Saúde,

A rua principal que dá acesso ao postinho lá no meio da comunidade só passa um carro por vez, foram vários dias que tive que ficar atrás do ônibus ou achar um espaço numa ruela para outro carro passar.

A garagem da UBS não comporta todos os carros dos trabalhadores, deixo meu uno fire 2005 na rua, próximo a um muro que está pichado “não jogue lixo aqui” mas que desde as 7 da manhã moradores e trabalhadores passam carregando sua sacolinha do epa ou supermercados bh e as atiram por ali num espaço que se torna um grande lixo à céu aberto.

Nas segundas à tarde o caminhão de lixo passa e recolhe as sacolas do lugar que não seria de deixa-los, o caminhão é grande, tenho receio de arranhar meu uno quando ele desce de forma embalada o pequeno morro que dá acesso à garagem da UBS.

Dentro desse espaço de lixo já vi gato, cachorro, vários cabritos e até porcos rasgando sacolas, se misturando ao indesejado a procura de comida.

O cabritinho que antes me trazia alegria agora me causa certa repulsa, certa dor.

Ele é o lixo.

As adolescentes grávidas da escola ao lado do posto desfilam nas ruas com suas barrigas pontiagudas e atitude de criança ainda.

Vejo criança cuidando de criança de uma forma assustadora ali.

Meu luto nesse lugar tem sido diário.

Vejo sentido porque eu enxergo o outro e vejo as pessoas por inteiro, não apenas pedaços,

Mas vejo também o abandono, o descartável,

a decadência nua.

Isso me corta feito navalha

diariamente



quinta-feira, 9 de julho de 2026

 

Estou há quinze dias em SP e de alguma forma me parece apenas cinco dias... tentando registrar no meu corpo a experiência dessa cidade fria e cinza,

já fui em um show na Casa Natura de uma turma bonita de pernambuco, já vi um show na rua de um nordista raiz, já assisti há três peças de teatro e gastei uma tarde no MASP - me encantando e chorando.

Comi pão delícia, me enganei no pão delícia, entrei em pokes e conheci espaço de grupo de teatro.

Sem entender o motivo que as pessoas correm tanto no metrô, decorando as os sentidos do metrô e perdendo os meus...

Ainda um pouco aérea tentando entender tudo, ainda um tanto cheia no intuito de esvaziar,

escolhendo o silêncio e vendo as plantas trepadeiras subindo paredes da casa afora...

acho que me sinto assim, enraizando em SP pouco a pouco...

minhas unhas crescem e não tenho cortador.

segunda-feira, 29 de junho de 2026

 

Como viajar é um trem precioso, estou em SP há cinco dias e a minha sensação são de semanas.

A intensidade diferente de um outro lugar é algo tão especial que me faz ecoar diferente

Saudade dos gatos e do gato e de mais absolutamente nada

Andar de metrô, habitar outra casa, sonhar noutra cama,

Tudo isso vira poesia.

Parece que ajuda a gente a crescer, sabe?

A parar de se ligar no pequeno, no mesquinho, coloca pra jogo o longe, o sonho, o improvável,

Cria novas possibilidades

Faz voar

domingo, 3 de maio de 2026

 


domingo e a ânsia de morte

a pulsão de desistência fez cantoria aqui hoje,

senti-me péssima em quase todas as instâncias possíveis e quis desistir.

acho que tive acolhida no silêncio, na água da fonte do gato,

na presença silenciosa e acolhedora deles,

e num suspirozinho de esperança que insisto em carregar me sentindo constantemente trouxa por isso, o mundo em neve severa e eu com um pequenino facho de luz quentinho segurando assim na mão esquerda iluminando quase nada à frente.

enquanto escrevo lágrimas caem,

quanto mais elas descem parece que mais espaço para eu existir dentro de mim tenho

eu não sei se é a vida perfeita do instagram

o tempo corrido

ou a absoluta falta de empatia das pessoas 

até o único vaso com flores que eu tinha hoje eu fiz morrer.

será que vão me amar mesmo assim?