segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

 

eu não sei se é o cansaço extremo ou o final de vinte e uma apresentações em temporada em um grande teatro em Belo Horizonte que estão me deixando assim : comovida feito o diabo

 

quando eu penso que vou ficar um mês em outra cidade com praia por conta só de fazer teatro eu ameaço um sorriso no canto de boca.

será real?

 

Eu sou um entrelaço entre saúde e arte

Das quatro coisas mais maravilhosas que vivi esse ano uma muito grande foi na arte e as outras três menores mas também muito importantes foram na saúde.

De alguma forma preciso de ambas para equilibrar o desequilíbrio do meu elefante de Dalí para resistir, seguir e assim viver.

 

“O que você diria para o último dia do ano, se ele fosse uma pessoa” – essa foi a pergunta que Maíra artista genuína fez aos usuários do Centro de Convivência Arthur Bispo do Rosário no dia de hoje, pergunta que me enlaçou o desejo, deu leito pro meu cansaço e resolvi responder também.

Eu não posso começar nossa prosa sem ser te agradecendo, obrigada caro 2025 pelas experiências incrivéis , pelas pessoas magníficas e pelo teatro que você possibilitou na minha vida junto com as portas que estão se abrindo ampla e largamente ,

Eu sei que para isso eu precisei sangrar, cansar de forma desumana e me humilhar algumas vezes em e-mails, telefonemas e ter muitos “nãos” na cara, mas nuh, como valeu a pena!

Podia ser menos sofrido, sim, podia.

Mas é isso, foi como tinha que ser.

Foi bonito foi, foi intenso foi e verdadeiro mais sincero.

Tô aqui cansada do tipo exausta mas feliz.

Com todo o corre, com todo encanto, com todo sangue, lágrima, fé e suor.

Feliz.

Obrigada Sr 2025!

Tomara que 2026 seja uma Sra, porque sim, as mulheres tendem a ser mais cuidadosas e com isso mais humanas, sim.

Que meus coletivos colham as colheitas justas e que eu individualmente também e que saiba fazer bom proveito delas!

quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

 será que eu tô feliz?

será que o caminho é esse mesmo?

a energia tá baixa,

a esperança pouca...

mas vou seguindo,

a energia gasta para estar vivo nesse mundo desse modo é grande,

maior que antes.

 a dor de ver a dor do outro e não poder fazer nada a não ser ficar em silêncio junto,

desejar boa sorte e rezar em pensamento.


quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

 minha mãe tem o hábito de colocar prego nas paredes e armários para coisas aleatórias serem penduradas,

moro na casa que ela não habita mais,

mas os pregos sim,

eles estão vazios, porém constantemente, sem querer, rasgo um pedaço da minha pele esbarrando em um deles.

 Foram cinco dias de apresentações, parece que a cada um a gente ia ficando mais forte, como criança aprendendo a andar sabe?

torcendo pra nossa caminhada ser longa e cheia de alegria!

agradeci todos os dias que cheguei no teatro.

é meio que uma alegria inenarrável, algo meio inacreditável estar ali por esse tempo todo.

ainda temos QUATRO semanas!

que sejam leves, divertidas e abençoadas!

que abram portas!


domingo, 23 de novembro de 2025

 estreia

semana de estreia, peça nova, coração acelerado e torcida gigante para chegar nas pessoas.

ensaios em looping, sensação de morar dentro de uma sala de ensaio e ser apenas artista e nada mais

minhas costas doem, meus olhos brilham, meu tempo simplesmente para no aqui e agora.

biscoito de wafer escondido, baldes de café, emoções em montanha russa e um sonho compartilhado.

me sinto um dinossauro com pele grossa, andar lento e preciso - eu não cheguei aqui agora.

mas preciso lembrar que tenho asas grandes e poderosas.

talvez eu também seja um lobo guará.



domingo, 2 de novembro de 2025

 domingo, a solidão e o vento.

a solidão tem feito presença na minha vida mais do que de costume,

a cadeira fica ali colocada pra ela.

não tenho medo dela não,

escuto bem,

às vezes dói,

agora ela me colocou pra andar.

"adelante" ela sussurrou nos meus ouvidos entendendo que eu sei que é chegada a hora.


quarta-feira, 15 de outubro de 2025

pensando sobre a pressa sem a perfeição,

sai tudo rabiscado

no reboco,

mas sei lá, isso é meio vintage também.

né?

o mal feito, o mal acabado.

sou um rascunho cheio de força,

feito um furacão.

sangro em enxurrada.

segunda-feira, 22 de setembro de 2025

a primavera chegou 

vesti minha roupa de exaustão

pra ver a banda passar tocando causos de terror

enquanto anestesiada estou

nada vi,

tudo passou,

nada ficou

depois que a banda passar

tocando ritos de horror

depois que banda passar

deixando marcas de dor

depois dela ninguém mais passou

domingo, 14 de setembro de 2025

 esconderijo,

medo,

choro...

arrumo a casa para ver se a paz do ambiente faz morada aqui dentro

João Gomes canta no som e acaricia tudo aqui,

banho com vela,

carinho no gato,

promessa de paz.

seria hoje um domingo aflito?

suspiro fundo,

mas não sei se entendo o que passa aqui dentro.

deixo ás lágrimas cairem.

sensação de abandono.

medo de não conseguir dar conta do banal da vida.

coloca os não onde deve e vai.

sábado, 13 de setembro de 2025

 cê já viu a loucura de perto?

que trem bonito!

carinhoso, sem julgamentos e cheio de troca!

que nem criança legal, sabe?

ando com saudade de viver mais ali, 

com os chamados "fora da caixa".


quarta-feira, 10 de setembro de 2025


nasci numa quarta-feira mas só fui conseguir chorar num domingo.

desde então me apaziguo no silêncio do domingo.

essa ausência de som organiza minhas moléculas, meu sentimentos, meus pensamentos.

consigo ver e sentir o mundo de outra forma e então suportá-lo.

seria fácil para a psiquiatria tradicional me diagnosticar e medicar.

eles fazem isso ao mínimo indício de desvio a dita normalidade.

afinal, o que é a normalidade? me diga você?

algumas terças-feiras já uso tampões nos ouvidos para fingir ser domingo.

meu corpo chora já ininterruptamente por sete dias durante o mês, sim, quase uma semana inteira esvaindo pelas minhas pernas, me causando dores, pensamentos de morte e terminando em um alívio rodopiantemente vermelho.

você já sentiu cheiro do seu próprio sangue? você já provou o seu próprio sangue?

eu choro sangue.

eu choro dor, alívio, desespero e um pedido desesperado por calma e paz – todo mês.

falar disso é um tabu pra você?

talvez eu devesse voltar meu olhar pra semana que vai começar ou até mesmo para o hoje, para o agora e por esse pequeno nó parado aqui na minha garganta. um choro pedindo socorro para sair?

o cid artista me faz assim: sensível demais. rindo muitas vezes quando não é para rir, chorando quando muitas vezes não é pra chorar, olhando muitas vezes para o que não é para olhar.

eu tento parar.

mas é mais forte que eu.

olha : tá acontecendo outra vez ! (atriz se atenta ao pequeno feixe de luz ao lado direito do palco que a faz lembrar de um riacho que fluía e um dia de extrema felicidade e faz seus olhos encher d’água ).

parece uma voz falando dentro da minha cabeça : vai, sái correndo, dança, rodopia, pode miar!

a vida está insalubre para gente que sente e então estamos todos medicados para evitar o extermínio.

show de horrores e comparativos no instagram/vida online : é vida ou é cena?

festa de superficialidade rolando nos bares, praças e encontros

bandejas de produtos todos imprescindíveis à vida servidos guéla a baixo

correria desenfreada na sociedade do sucesso que só serve fracasso

eu?

não tô tendo tempo para chorar

tem uma semana que não olho o céu

cadê o desejo?

o sonho já não existe.

domingo, 7 de setembro de 2025

 domingo, o silêncio, o descanso 

o decantar da semana

e depois as novas possibilidades,

a pausa possibilita meu pensamento ir a novos lugares...

experimento o novo no mundo das ideias

chego a quase sonhar novamente.

segunda-feira, 11 de agosto de 2025

 agosto chegou e eu fiquei cansada...

sinto vontade de ficar quietinha em silêncio no sol,

respirando devagar, bebericando o café e sonhando longe.

falta férias, falta fôlego...

o que me faz sonhar?

deixa dormir, deixa desanimar, 

devargarzinho, pé ante pé vou me restaurar.

deixa a menina sonhar...

talvez seja preciso viajar.

terça-feira, 15 de julho de 2025

terminei de fazer uma visita domiciliar enquanto no entorno o movimento do tráfico pipocava, 

me senti estranhamente parte daquilo,

olheiros,  motos,

homens surgindo nos buracos dos muros ressabiados,

um certo ar de shopping oi, feira hippie e mercado central tudo ao mesmo tempo sabe?

tentava fingir normalidade, perguntava das atividades de vida diária do Sr Joaquim, media a porta do banheiro e construía orientações com ele e a filha, 

enquanto ali no quintal que logo dava à rua tudo acontecia...


trabalhadora do SUS que fala.

segunda-feira, 14 de julho de 2025

 desistentemente tentando...

tem dias que acredito,

que tenho fé,

noutros tudo desanda...

roda gigante, eterno sobe e desce montanha que hoje me levou ao chão

domingo, 6 de julho de 2025

 domingo de manhã, ou carta aberta à Karina Buhr

aprendi a não jogar o amor no lixo.

me ame tanto!
me ame muito!
me ame muito, sim.

pois com amor eu aprendi a respirar melhor.

com os olhos e a alma afetados de amor,
eu existo numa inteireza bonita, sabe?

que agita, transforma, enfeita e eleva meu redor.

me amo tanto que até dói.

aprendi a amar também os meus defeitos.

às vezes, rasgo.
às vezes, erro.

noutras, comparo.
e, em muitas vezes, sangro.

mas amo. amo.
amo tanto.

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Vai faltar,

Vai doer, 

Vai navalhar

E eu vou me acolher,

E que seja num acarajé recheado de camarão, vatapá e colorido no dendê

Não tem jeito meu amigo,

Vai acontecer! 



o correr da vida mistura tudo e pode vir de borboletas no estômago à ânsia de vômito, sabe?
como pode de um segundo pro outro as borbulhas coloridas virarem náusea?
a dança acontecia rodopiante e alegre e ZAP,
entristeceu, brochou, escorregou nas pequenezas,
na não visibilização,
na sombra.
borboletas não têm sombras elas foram-se embora em segundos e não ousaram deixar rastros.

segunda-feira, 19 de maio de 2025


ando tentando escrever, olhar pro céu, tomar banhos mais longos e escutar o silêncio para ver se meus olhos param de pular:
tentativa essa desenfreada da minha alma saltar pra fora do corpo por esses dois pequenos orifícios verdes e sentir-se livre da ebulição de ideias, culpas, prazos, boletos, relatórios, soluções, articulações e pensamentos que fazem morada aqui dentro.



Hoje à tarde não fui trabalhar pra acompanhar minha mãe numa consulta de rotina e depois deixar ela na rodoviária pra ir pra casa dela .
Resolvi ir contra ao fluxo da vida : fui com calma; desci com ela até o ônibus da Santa Maria e fiquei do lado de fora vendo ela lá dentro até ele partir e poder acenar tchau com as mãos .
Na volta pra casa olhei pra cima
É isso .

segunda-feira, 5 de maio de 2025


Proposta de cena : Pasmaceira
Puffs coloridos no palco, luz baixa, duas amigas em cena.
Tempo de reverberar, tempo de respirar.
A cena propõe a retomada da pausa : a pausa foi extinta em 2020.
O que foi mesmo que você fez ontem?
Você sabe me descrever exatamente como foi o seu último domingo? - Como você se sentiu?
Segunda-feira é com hífem ou sem ?
Quando foi que pisamos nesse palco a última vez?
Você lembra o que você sentiu?

(tempo de sentir)
fumaça,
solo de guitarra
elas dançam por 3 minutos
sentam no chão
se olham, riem,
deixam o tempo fluir.

quinta-feira, 24 de abril de 2025


faz tempo que não passo por aqui...
a escrita era antiga confidente minha,
mas por algum motivo cessou.
tenho desistido da arte.
tenho desonhado de ser atriz e isso dói.
acho que é pela incerteza da profissão, a dificuldade de conseguir as coisas
o não visto e as quantidades desmedidas de nãos - e olha que eu coleciono sims.
é difícil minha gente.
e como dói.

nisso vou sentindo o roçar do rabo do gato e galgando com carinho e atenção na saúde,
tentendo ouvir o não dito e rir do inusitado da vida, que é sim, tão bonito.
vou criando poesia no meu dia a dia com os restos.

a loucura e arte me fazem falta de uma forma dilacerante meus amigos.

quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Centro de Saúde

Pela primeira vez Letícia fala comigo em atendimento , respondeu um engasgado e sonoro "não" a algo
que eu perguntei, arrepiei ; fiquei quieta e fingi normalidade .
Durante o jogo que jogamos de quebrar gelos e não deixar o pinguim cair ela foi me respondendo as perguntas...
"matemática" "não lembro" "eu que tirei" e outras...
Sorriu e se divertiu durante a atividade proposta!
(acompanho Letícia faz um ano e meio)
Insisto e acompanho
*nome fictício